Fomentando o conhecimento sobre a América Latina
Roberto Bertani
Diretor do Centro Brasileiro de Estudos da América Latina traça um percurso sobre importantes contribuições do Memorial para a cultura latino-americana

A Biblioteca Latino-Americana, do Memorial, conserva um acervo precioso de literatura e ciências humanas sobre o subcontinente
Ao longo de sua história,, o Memorial da América Latina tem sido um espaço fundamental para difundir a arte, o pensamento e a cultura rica e diversa de nossos irmãos latino-americanos. Como diretor do Centro Brasileiro de Estudos da América Latina (CBEAL), sinto-me profundamente conectado a essa missão, que vai muito além da preservação e produção de conhecimento: trata-se de fomentar o diálogo e valorizar a identidade de toda uma região.
O CBEAL é uma das principais diretorias do Memorial, dedicada à reflexão crítica e à divulgação das teorias e práticas culturais e sociais da América Latina. Por meio de nossas iniciativas – que incluem a Biblioteca Latino-Americana, o departamento acadêmico e uma série de publicações, como a revista semestral Nossa América, em circulação desde 1989 –, buscamos integrar e valorizar as vozes de nosso continente. Recentemente, passamos também a administrar o Pavilhão da Criatividade e a Galeria Marta Traba, fortalecendo ainda mais nossa atuação no campo das artes visuais com eventos marcantes, como as Bienais do Barro e de Graffiti Fine Art, além de exposições históricas de Portinari, Botero, Guayasamín e Juan Rulfo.
A Biblioteca Latino-Americana, ou “Bibla”, como a chamamos carinhosamente, é um dos grandes orgulhos do CBEAL. Seu acervo reúne cerca de 42 mil títulos, incluindo obras essenciais das ciências humanas, literatura, artes plásticas e patrimônio cultural. Além disso, possuímos um importante acervo audiovisual com mais de 3.500 itens, que documentam a vibrante produção cinematográfica da região.
Ao longo de nossa história, promovemos encontros inesquecíveis. Nos anos 1990, por exemplo, recebemos pensadores brilhantes, como Aníbal Quijano, Rodrigo Montoya e Hugo Achugar, que compartilharam perspectivas inovadoras sobre as dinâmicas sociais e culturais de nosso continente. Em décadas mais recentes, ampliamos nosso escopo, oferecendo cursos sobre temas tão diversos quanto cinema, movimentos sociais e migrações, conectando o público a nomes de peso como José Goldemberg, Hernan Chaimovich, Carlos Romero e muitos outros.
Também temos orgulho de incentivar a pesquisa acadêmica, especialmente com as bolsas das cátedras Unesco/Memorial e CBEAL. Esses programas, além de apoiar financeiramente pesquisadores, garantem a publicação de seus trabalhos em livros digitais. Neste ano tão especial, celebrando o 35º aniversário do Memorial, tivemos o prazer de explorar temas como cinema, com a catedrática Ana Daniela de Souza Gillone, e a filosofia indígena, sob a liderança de Beatriz Perrone-Moisés. E no lançamento das bolsas apresentamos a palestra “Saberes Indígenas para o Século XXI” do ambientalista e filósofo Ailton Krenak, que trouxe a sua perspectiva sobre o tema.
A produção editorial do CBEAL é outro destaque. Livros como Memórias do subdesenvolvimento, de Edmundo Desnoes, e o premiado Knispel Retrospectiva 1950–2015 são exemplos de como tratamos cada publicação com um cuidado especial. E não poderia deixar de mencionar a revista Nossa América, um marco na divulgação cultural, distribuída para bibliotecas públicas e universitárias em toda a América Latina.
Estar à frente do CBEAL é, sem dúvida, um desafio estimulante. Mas é também uma imensa satisfação contribuir para a consolidação de um projeto tão relevante, que ao longo de seus 35 anos une a preservação do passado e a construção de um futuro mais integrado e solidário para a América Latina.
Roberto Bertani
Diretor do Centro Brasileiro de Estudos da América Latina (CBEAL)
Este texto faz parte da edição física da revista Nossa América nº64

