Ponte entre os povos

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João Carlos Corrêa, diretor de atividades culturais, relata os esforços do Memorial para promover e respeitar a riquíssima diversidade cultural da tapeçaria chamada América Latina

A valorização da cultura popular latino-americana como elo de união e identidade de nossos povos tem sido o foco central do trabalho da Diretoria de Atividades Culturais do Memorial da América Latina. Tratamos assim de resgatar e cumprir o projeto idealizado por Darcy Ribeiro há 35 anos. Nossas iniciativas e acolhimentos celebram, de maneira direta e indireta, a riqueza cultural de nossa ancestralidade, com ações e discussões públicas que visam combater a discriminação racial e religiosa, entre outras questões que afetam todos os povos do subcontinente.

Além disso, temos dedicado esforços para aproximar os consulados latino-americanos em São Paulo – e reforçar com eles parcerias em ações diversas para promover a cultura de cada um dos países. Muitas são iniciativas cruciais para ambientar imigrantes, turistas, refugiados – e também para pessoas provenientes de outras paragens, contribuindo para mitigar choques culturais. Gerimos um espaço onde todos podem celebrar suas tradições e se conectar com suas raízes, enquanto se integram à cultura brasileira.

Estamos em um equipamento público tombado pelos órgãos do patrimônio do Estado (CONDEPHAAT) e do Município (CONPRESP), o que requer cuidados ainda maiores com os espaços. Por isso, todas as atividades realizadas neles são supervisionadas por nossas equipes de produção, para assegurar que o patrimônio cultural seja respeitado e preservado, mantendo o padrão de excelência que nos fez reconhecidos. A cessão onerosa (ou locação) de nossos espaços é fundamental para prover nossa sustentabilidade econômica. Contudo, essa dimensão econômica não pode se sobrepor às dimensões simbólica e cidadã do Memorial, nem comprometer nossa missão maior, que é de promover a diversidade e o intercâmbio cultural.

No ano passado, o Guia editado pelo jornal Folha de S. Paulo distinguiu o Memorial com uma menção honrosa, destacando especialmente nossa capacidade de realizar shows e eventos para mais de 10 mil pessoas. No cenário de uma cidade com tantas opções culturais, essa distinção sublinha nossa contribuição para a economia criativa, o turismo, a ocupação hoteleira e a rede gastronômica do estado, refletindo uma cuidadosa curadoria. Cada evento deve estar alinhado à missão do Memorial, pois acreditamos que todos devem deixar um legado, uma reflexão ou uma provocação significativa.

A recente criação da revista Memorial Cultural também merece destaque. A publicação é um veículo importante para divulgar essas atividades e destacar seu reflexo na sociedade, reforçando nossa missão. Junto com a revista Nossa América, ambas publicações constituem valiosos meios para sistematizar e ampliar a comunicação da Fundação Memorial da América Latina com as áreas acadêmica e cultural latino-americanas.

Vale ressaltar também que em nossa gestão buscamos implementar estratégias inovadoras, como a criação de uma nova Gerência na Diretoria de Atividades Culturais especificamente para elaborar projetos para o Memorial. Buscamos ainda, bem como o alinhamento de nossas ações com políticas públicas do estado, fortalecendo o Memorial como catalisador de mudança e inclusão. Junto às demais diretorias, continuamos a buscar soluções inovadoras para assegurar que a cultura sirva como ponte entre os povos, inspirando futuras gerações a abraçar e celebrar nossa rica herança comum.

Ao refletir sobre o trabalho dos últimos anos, é evidente que o Memorial vem se consolidando como um espaço vibrante e inclusivo. Isso ocorre também pela estreita cooperação do presidente da instituição, o Dr. Pedro Mastrobuono. Sua liderança tem sido fundamental na revitalização de nossa missão. Temos uma parceria baseada em amizade e respeito mútuos, que alicerça as iniciativas que promovemos.

Neste ano em que celebramos os 35 anos do Memorial, é essencial refletir sobre nossa trajetória e as ações que reafirmam nosso compromisso com a cultura latino-americana. No próximo biênio, nossa meta é deixar um legado ainda mais significativo, criar novas memórias e honrar a história da instituição. Quando concluirmos nosso trabalho, esperamos que o Memorial seja reconhecido não apenas por seu legado, mas também por sua capacidade de se reinventar e continuar a servir como ponto de convergência para a cultura e a diversidade latino-americanas.

Convidamos a todos, portanto, a vivenciar a grandiosidade do Memorial da América Latina, um complexo cultural que é um verdadeiro tributo à visão de Darcy Ribeiro e à genialidade arquitetônica de Oscar Niemeyer, símbolo de união e diversidade. Seus múltiplos espaços são uma celebração vibrante da cultura latino-americana, unindo história, arte e inovação. Neste local único, cada canto conta uma história e cada visita é uma jornada pela rica tapeçaria cultural da América Latina.

Este texto faz parte da revista (física) Nossa América nº64

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